Como de costume

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Para variar, Leandro perdeu a hora. Foi dormir tarde no dia anterior e sequer ouviu quando o despertador tocou às 6h00. Isso, de não acordar no horário, acontecia com certa frequência em sua vida. Todos os dias, Leandro acordava em um horário diferente e hoje foi às 7h10. Desesperado e assustado, levantou correndo. Lavou o rosto e penteou de qualquer jeito o cabelo, comeu um pedaço de biscoito água e sal com suco de laranja e saiu do apartamento no 14º andar do edifício Leblon. Aproveitou o tempo de espera do elevador para terminar de abotoar a camisa. Dizem que é sempre assim: o elevador pára em todos os andares quando se está com pressa. Chegou até a garagem, entrou no carro e notou que o alarme estava desligado. Havia esquecido os faróis acesos durante a noite inteira e, sem bateria, o veículo não ligou. Sem tempo para esperar um mecânico ou algo do tipo, Leandro foi até a portaria e chamou um taxi. Somente quando entrou percebeu que não havia sacado dinheiro ontem. Os 20 reais que tinha na carteira daria apenas para o taxista o levar até a estação de metrô mais perto. E foi o que fez. Com o trânsito já caótico pelo horário e com a pouca sorte que contava neste dia, chegou à estação Juscelino às 8h34. 4 minutos após a última saída. Com sorte, conseguiria pegar o próximo trem e chegaria apenas 3 horas atrasado no trabalho.

Sara acordou como previa às 7h15, antes mesmo do despertador tocar. Como fazia todos os dias, tomou um bom banho, arrumou-se e preparou o café com calma. Seu turno na empresa só começaria às 10h00, mas programava sua manhã para chegar sempre 15 minutos antes. Gostava de comer bem na parte da manhã e não podiam faltar frutas, queijos, pães, sucos. Separou todos os documentos que precisava levar para o trabalho e saiu tranquilamente, no horário de costume. Morava apenas a 10 minutos da estação, mas gostava de sair meia hora antes para evitar qualquer imprevisto. Exatamente às 8h15 o porteiro Dílson já esperava receber um “Bom dia!” de Sara, que saiu em direção à estação Juscelino. O relógio da plataforma de embarque marcava 8h25 quando Sara comprou seu bilhete e poderia pegar o próximo trem. Mas ela sempre preferia o que saía depois, às 8h45, pois, normalmente, era o mais vazio. E assim, como em todos os dias, Sara pegou o metrô no mesmo horário de sempre e com os mesmos passageiros de costume…

Exceto um.

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Sobre henrique

Quando nada existia... quando tudo era impossível... Em meio ao imenso vácuo deixado pelo mar de coisas... Quando já absorto de fartas esperanças... ... eis me aqui!
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