Eu reclamo o direito de ser infeliz!

O último post, Montanha Russa, trouxe a mente um trecho incrível do livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Já citei esse livro no outro blog, quando falei sobre o video Admirável Mundo Nosso.

Sou fascinado por esse livro! Junta ficção científica com uma análise clinicamente profunda da sociedade. Tanto a sociedade que vivemos (o que era o futuro na época do livro, que foi escrito na década de 30) quanto a sociedade que um dia seremos.

Brave New World  4No trecho em questão, John, conhecido como “o selvagem”, veio da reserva histórica (algo como reserva indígena). Intruso na sociedade, não se conformava com a felicidade fabricada em que os cidadãos viviam. A sociedade era organizada de tal modo, que todos eram supostamente felizes! Mas, felizes e sem vontade própria…

O diálogo acontece quando John tenta reconquistar a liberdade que possuía antes. Liberdade completa, com todas as tristezas e frustações. Um exemplo claro de que felicidade não pode vir sem uma dose de tristeza acompanhando. Só é feliz realmente quem sabe o que é ser triste.

– O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o soma que o senhor atira pela janela em nome da liberdade.
– Mas eu gosto dos incovenientes. Eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.
– Em suma, o sr. reclama o direito de ser infeliz. Sem falar no direito de ficar velho, feio e doente; no direito de viver com a apreensão do que poderá acontecer amanhã.
– Eu reclamo todos!, respondeu.”

(Aldous Huxley – Admirável Mundo Novo)

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Sobre henrique

Quando nada existia... quando tudo era impossível... Em meio ao imenso vácuo deixado pelo mar de coisas... Quando já absorto de fartas esperanças... ... eis me aqui!
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