Cativa-me

Há um livro que sou fascinado desde criancinha, quando retirava da estante do meu avó em Curvelo e ficava horas e horas folheando as páginas ilustradas com as figuras mais estranhas e inimagináveis. Passava horas observando aquele principezinho cuidando do seu planeta minúsculo e lendo suas divagações sobre o mundo ou vendo as bizarras imagens de uma cobra parecida com um chapéu por ter engolido um elefante e concordando com sua moral tão sutil incrustada nas aventuras do menino feitas para serem lidas por jovens de qualquer idade. O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, um ex-aviador, se torna leitura obrigatória para todos por tratar a vida de forma tão poética e única. O texto abaixo permaneceu por um bom tempo no meu álbum do orkut e são trechos retirados do capítulo XXI, o mais conhecido, de onde vem a máxima: “Tu tornas eternamente responsável por aquilo que cativas…”.

9“- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
– Por favor…. Cativa-me! – acabou finalmente por dizer.
– Bem quisera – respondeu o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer…

8– Só conhecemos bem as coisas que cativou – disse a raposa – Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram tudo pronto nas lojas. Mas como não há lojas de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
– E o que é preciso fazer? – perguntou o principezinho
– É preciso ter muita paciência. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.
No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora – disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
– Que é um rito? perguntou.
– É uma coisa muito esquecida também – disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas…

7Foi assim que o principezinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
– Adeus… – disse ele.
– Adeus – disse a raposa – Vou-te contar o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
– O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
– Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
– Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… – repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
– Os homens esqueceram essa verdade – disse a raposa – mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
– Eu sou responsável pela minha rosa… – repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.”

(Antoine de Saint-Exupéry – O Pequeno Príncipe, cap. XXI)

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Sobre henrique

Quando nada existia... quando tudo era impossível... Em meio ao imenso vácuo deixado pelo mar de coisas... Quando já absorto de fartas esperanças... ... eis me aqui!
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Uma resposta para Cativa-me

  1. diane disse:

    cara… esse livro marcou minha vida de diversas formas…
    me pôs em um mundo totalmente diferentes da que vivemos hoje!!!
    o !jogo de poder” que as pessoas tem uma sobre as outras é incrivel…
    amei esse livro que me proporcionou momentos de alegrias e de tristezasss
    agradeço ao Alessandro José Cintra Gonzaga. Foi ele quem me emprestou esse livro..
    com ele Sorri com muita alegria e também Chorei muito!!!

    só posso dizer que aprendi muito e que levarei mu ensinamento pow onde eu estiver

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